Autogestão – Desafios e benefícios da autonomia

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Cada vez mais, em empresas e corporações, o assunto de autogestão vem sendo comentado e discutido. Enquanto muitos esperam ansiosos por essas mudanças, outros chegam a considerá-la impossível de ser colocada em prática. Mas você já conhece o termo?

A autogestão é uma forma de organização empresarial, que refere-se à capacidade do colaborador de tomar decisões. Basicamente, é um conjunto de práticas empresariais que tem como objetivo distribuir a autoridade e dar autonomia a diferentes integrantes da organização.

Sendo assim, as tomadas de decisões deixam de ser centralizadas em apenas uma pessoa e se tornam um modelo em que a gestão horizontal é mais valorizada. Aqui, vamos tratar de conceitos básicos, afastando algumas suposições equivocadas. Continue a leitura. 

Autogestão e Gestão Horizontal

Muitos podem ficar com dúvida entre a Gestão Horizontal e a Autogestão. Enquanto o primeiro contrapõe a estrutura hierárquica da cadeia de comando, o segundo busca distribuir essa autoridade. Sendo assim, normalmente são vistos como modelos que se complementam.

Basicamente, a autogestão só é implementada nas empresas que valorizam a Gestão Horizontal, pois entendem a importância em ter colaboradores com mais autonomia. Isso impacta diretamente na maneira que o profissional encara os seus trabalhos, pois encontram motivação ao fazer as suas próprias escolhas. Dessa maneira, fica claro como pode ser uma das principais ferramentas de produtividade que uma empresa pode adotar. 

Benefícios e desafios da Autogestão

Atualmente, podemos encontrar alguns mitos em relação a essas questões, assim como dúvidas sobre quais os seus benefícios e principais desafios. Para que tudo isso fique esclarecido, vamos abordar cada um dos seguintes temas.

Benefícios

Entenda quais são os principais benefícios em adotar essa forma de organização empresarial na sua empresa ou corporação.

Mais autonomia aos colaboradores

A autonomia de um colaborador consiste na sua capacidade de tomada de decisões. Sempre dentro das diretrizes da organização, o profissional acaba agindo como um fator de inovação para a empresa. 

Ainda assim, é papel da empresa fazer com que o profissional confie em si mesmo e nas decisões que toma e, acima de tudo, dar a ele as ferramentas e conhecimento necessários para que essa tomada de decisões seja sempre dentro dos princípios da empresa.

Flexibilidade

Devemos entender que a flexibilidade desse modelo não significa a ausência de hierarquias. Esse é um dos grandes mitos quando falamos em autogestão e Gestão Horizontal. 

Entretanto, com essa estrutura mais flexível e adaptável, é possível dissolver algumas burocracias presentes na empresa, transformando o ambiente e promovendo autonomia e igualdade, além da distribuição de hierarquias de maneira deliberativa.

Criatividade

A criatividade já é uma das principais qualidades do trabalhador moderno, sendo essencial para diferentes trabalhos. O simples fato de não precisar de aprovações em todo o seu processo de criação, já permite ao colaborador explorar mais as suas habilidades criativas, dando novos sentidos e significados ao seu trabalho na maioria das vezes.

Ou seja, a autogestão faz com que os colaboradores confiem mais no seu próprio trabalho, propondo alternativas e soluções que muitas vezes não pensaria, uma vez que é estimulado a dar o melhor de si.

Integração

Uma vez que o colaborador pode tomar algumas decisões, ele consegue entender melhor o trabalho que os seus colegas realizam. Além disso, uma ótima maneira de propor a autogestão é através da criação de times autônomos, em que é possível não apenas integrar novos funcionários, mas também aqueles que já estão na empresa a mais tempo.

Isso ainda cria um maior senso de responsabilidade a todos os colaboradores, uma vez que entendem a importância de todos os trabalhos e decisões que foram feitas, pois propicia uma importante mudança nos valores internos do indivíduo.

Maior desempenho e engajamento

Deixar determinadas decisões nas mãos dos seus colaboradores faz com que os seus funcionários se sintam mais engajados no trabalho que exerce na empresa, uma vez que possui influência direta nesses resultados.

O colaborador ainda é levado a administrar o seu horário, conhecendo as suas obrigações e fazendo-as sem que ninguém precise lembra-lo. Isso mostra um maior desempenho, além de mais responsabilidade nos trabalhos em que realiza.

Desafios

Como em qualquer modelo de gestão, devemos entender que também existem alguns desafios. Conheça agora os principais deles.

Definição dos limites

Apesar da autogestão propor a autonomia aos seus colaboradores, é importante entender que a gestão ainda está em suas mãos como dono ou líder da empresa e grupo. Com isso, é possível reconhecer a importância de definições de limites claras, para que isso não seja traduzido em hábitos prejudiciais à produtividade.

Afinal, muitos podem se sentir sobrecarregados com as responsabilidades e a autonomia. Por conta disso, no começo da adaptação a esse novo processo, é importante que você possa explicar ao seu colaborador quais são os objetivos de cada tarefa, para que ele consiga visualizar melhor as soluções para essas questões.

Transição e adaptação

Como em qualquer ambiente de trabalho, o processo de transição e adaptação pode não ser uma etapa tão fácil quanto todos gostariam. Por vezes, podemos perceber alguns colaboradores que mostram maior resistência às mudanças.

Por conta disso, esse processo tem que ser feito em conjunto e, é claro, sempre respondendo às principais dúvidas dos profissionais. Definir os limites e deixar claro para cada um quais são eles, é apenas o primeiro passo.

Com a autogestão é possível criar ambientes mais humanos e orientados por um único propósito, substituindo determinadas relações hierárquicas e colocando os profissionais na posição de entender melhor e mais sobre o seu próprio trabalho, assim como os seus impactos e influências na empresa.

Isso o transforma em um colaborador mais consciente sobre o seu papel na corporação, o que muitas vezes é traduzido como maior produtividade, uma boa interação com a equipe e promovendo uma democratização dos processos de trabalho. Pode ser um tema novo e que ainda encontre algumas restrições no caminho, mas esperamos que essa leitura tenha respondido às suas principais dúvidas.