Demonstração do Resultado do Exercício: o que é e como fazê-la?

Tempo de leitura: 12 minutos

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é um dos relatórios financeiros que as empresas, por meio da contabilidade, devem elaborar ao fim de cada período de 12 meses — de acordo com a Lei das Sociedades por Ações (LSA) —, prática a qual chamamos exercício social.

Quando ocorre o exercício social, a companhia faz a apuração do resultado obtido (seja lucro, seja prejuízo). A demonstração do Resultado do Exercício é um documento que resume, ordenadamente, todos os dados ligados ao desempenho da empresa.

Portanto, as informações fornecidas pelo DRE são de extrema relevância para a empresa e seus diretores (responsáveis pela tomada de decisão), visto que elas registram o que se conseguiu obter ao longo do ano, se as metas foram atingidas, entre outras conclusões.

Cientes de que a DRE é uma das atividades mais importantes realizadas pelo departamento contábil, que tal aprendermos como fazê-la? Continue a leitura deste artigo e comece a adquirir este requisito imprescindível a todo o contador.

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Qual é a importância da Demonstração do Resultado do Exercício?

Fazer a apuração do resultado significa fornecer valiosas vantagens estratégicas ao negócio. Entre suas principais vantagens, destaca-se a disponibilização de dados úteis para o planejamento.

A tomada de decisão inteligente (isto é, baseada em informações) tem se consolidado um requisito para a empresa que busca se manter competitiva, portanto a DRE se mostra providencial ao trazer à tona o desempenho financeiro.

Por exemplo, ao identificar os elementos que trouxeram mais receita e despesas, o gestor consegue dedicar esforços, reduzir custos e direcionar investimentos com eficiência.

Além disso, a partir do resultado é possível criar indicadores-chave de desempenho (Key Performance Indicator – KPI) para acompanhar o reflexo das ações futuras.

Não é por acaso que a Demonstração do Resultado do Exercício é considerada um dos relatórios contábeis mais importantes. Ao lado dela, destacam-se o Balanço Patrimonial e o Demonstrativo de Fluxo de Caixa.

O panorama que ele exibe é realmente fundamental para analisar o desempenho da empresa em vários aspectos; tudo isso aplicando, basicamente, os conceitos de receita e despesa.

Qual é a diferença entre despesa e receita?

Embora o tema seja abordado nas primeiras aulas na graduação em Ciências Contábeis, entender os conceitos de receita e despesa no universo da Contabilidade é necessário e, em muitos casos, a explicação é útil para quem está pensando em se tornar um contador.

Concisamente, a receita é representada pelo dinheiro obtido com vendas. Quando um serviço ou mercadoria é vendido, o dinheiro entra diretamente no Caixa da empresa ou como duplicatas a receber (Receita a Prazo).

A receita é a principal fonte para aumentar o Ativo de um negócio, visto que os valores são recebidos como lucros pertencentes à empresa, diferentemente de quanto o Ativo aumenta em função de empréstimos e financiamentos bancários.

Por sua vez, a despesa é o próprio esforço da empresa para conseguir a receita. Um bom exemplo é o uso de equipamentos para fabricar um produto, o qual gera despesas com energia elétrica e remuneração de funcionários para operar a máquina.

Fora isso, coloca-se no papel as despesas com matéria-prima, distribuição, serviços terceirizados, entre outros sacrifícios necessários para que o produto final seja exposto e vendido ao cliente.

Outra característica comum da despesa é o aumento do Passivo que costuma gerar, sobretudo quando a empresa assume dívidas de longo prazo, como o pagamento parcelado de um empréstimo.

Aliás, a própria redução do Ativo pode aumentar as despesas, como, por exemplo, quando o investimento não traz retorno positivo, ou uma máquina precisa ser substituída ou eventos catastróficos — incêndio, cibercrime, inundação etc.

A aplicação contábil desses dois conceitos é feita a partir do Regime de Competência e do Regime de Caixa. Mas o que são esses regimes? É o que descobriremos a seguir.

O que são Regime de Competência e Regime de Caixa?

O Regime de Competência é usado para expor, adequada e claramente, o resultado obtido pela empresa em termos de lucro ou prejuízo.

Para a sua aplicação, é necessário que a receita seja contabilizada assim que for gerada, mesmo que o seu recebimento seja a prazo. A despesa, por sua vez, deve ser contabilizada no período exato de consumo, independentemente do prazo de pagamento.

Ao reunir as informações de acordo com essas regras, subtrai-se da receita total a despesa — contanto que ambas tenham sido geradas no mesmo período, ainda que não tenham sido recebidas / pagas.

Em contrapartida ao Regime de Competência, o Regime de Caixa visa simplificar a compatibilidade por meio de regras básicas: a receita é contabilizada no momento do recebimento (encaixe), enquanto a despesa é contabilizada quando o dinheiro sai do caixa (desembolso).

A apuração no Regime de Caixa é feita usando a subtração da despesa paga pela receita que acabou de entrar no caixa da empresa, sempre no dia em que foi realizada a movimentação.

Como fazer a Demonstração do Resultado do Exercício?

A Demonstração do Resultado do Exercício, reiterando, é o resumo do que a empresa gastou e lucrou durante um período — geralmente 12 meses. A apresentação, no entanto, ocorre dedutivamente (demonstração dedutiva), na qual as despesas são subtraídas das despesas para chegar-se ao resultado.

Essa prática é consideravelmente simples em muitos dos casos. É possível, por exemplo, aplicar a Demonstração do Resultado do Exercício sobre as despesas domésticas para saber se o dinheiro está sendo bem administrado, bem como em estabelecimentos pequenos, como farmácias, bares e padarias.

No entanto, quando se trata de empresas que funcionam de maneira mais complexa, a Demonstração do Resultado do Exercício deve ser apresentada em sua forma completa. Isso significa que diversos detalhes são apurados para alcance do resultado final.

Abaixo, confira os tipos de apuração comuns para a elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício completa, a qual é exigida por lei.

Apuração de Receita Líquida

A apuração de Receita Líquida começa pelo cálculo do valor bruto do que a empresa vendeu ao longo do ano. A conta é feita objetivamente, pois eventuais cancelamentos de compra e descontos não são retirados.

Já os impostos e taxas sobre vendas, no entanto, são incluídos. Então a receita bruta envolve, também, o que é repassado aos governos estadual e federal com base em:

  • IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados);
  • ISS (Imposto sobre Serviços);
  • Cofins (Contribuição para a Seguridade Social);
  • ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), entre outros.

Levantados os valores brutos, chegou o momento de subtrair as receitas que não pertencem à empresa (impostos) e ajusteis eventuais gerados por descontos, cancelamentos, devoluções etc.

Numa suposição didática, consideremos que a empresa vendeu R$ 55 mil em mercadorias, sendo que R$ 5 mil deste valor precisa ser subtraído em razão de devoluções. Além disso, 20% do valor restante corresponde ao IPI, 3% a Cofins e 18%, ao ICMS. A receita líquida ficaria em:

Receita Líquida (R$) = 50.000 – 15.000 – 1.500 – 9.000 = 24.500

Logicamente, caso deduções tenham sido feitas em parte das vendas, não implicando abatimento de impostos, a diferença é subtraída da receita bruta. Retomando o exemplo, R$ 780,00 em ajustes resultaria na receita líquida de R$ 23.720,00.

Apuração de Lucro Bruto

O Lucro Bruto representa a diferença entre receita e custo desconsiderando outras despesas (administrativas, financeiras, comissões etc.).

Logo, se a empresa vende produtos, subtrai-se o custo da mercadoria (ou fabricação) do valor obtido com as vendas — o mesmo vale para a prestação de serviços.

Exemplificando, se a empresa investiu R$ 300 mil na fabricação de produtos e gerou R$ 700 mil de Receita Líquida, o Lucro Bruto foi de R$ 400 mil. Desta quantia, parte será distribuída para cobrir as despesas até alcançar o Lucro Líquido.

Apuração do Lucro Líquido

O que sobrou de forma líquida para os investidores? Considerando o Lucro Bruto de R$ 400 mil conforme o exemplo anterior, a empresa terá de calcular o que corresponde à remuneração dos colaboradores, comissões sobre vendas (se existir), participação nos lucros etc.

Tendo a companhia arcado com R$ 140 mil referentes aos custos com funcionários (incluindo direitos trabalhistas, participação no lucro e impostos), o Lucro Líquido será de R$ 260 mil. Este valor é o que ficará livre para quem aplicou os R$ 300 mil, ou seja, o montante foi recuperado e ainda sobrou uma quantia quase equivalente.

Apuração de Lucro Operacional

A partir do Lucro Bruto é que se calcula, também, o Lucro Operacional. Trata-se da relação entre o lucro e as despesas geradas para assistir as vendas. Todavia, para se chegar ao valor das despesas operacionais, é preciso entender como elas são divididas e calculadas.

De acordo com José Carlos Marion, uma das grandes referências na área de Contabilidade, as despesas operacionais são classificadas em grupos (grupos de Despesas Operacionais), sendo os principais deles:

  • Despesas administrativas: servem para auxiliar a direção da empresa, assegurando que as operações ocorram de maneira organizada e dentro da lei. Em geral, são decorrentes de custos com pessoal de escritório, aluguéis de equipamentos e local, materiais, móveis etc.
  • Despesas de financeiras: referem-se a custos oriundos de terceiros (instituições bancárias, por exemplo), isto é, juros, comissões bancárias, variação monetária (quando o crédito é concedido em moeda estrangeira), multas etc.
  • Despesas de vendas: envolvem todos os fatores atrelados à venda do produto ou serviço, desde esforços de marketing e publicidade à exposição ao consumidor. Logo, são calculadas a partir da remuneração dos vendedores, equipe de marketing, custos com anúncios publicitários, software ou serviço para confecção de materiais, entre outros.

Como podemos facilmente presumir: o Lucro Operacional é bastante complexo e requer minuciosidade por parte do contador, afinal há uma vasta gama de detalhes que influenciam no resultado.

Apuração de Custo das Vendas

Determinar o Custo das Vendas é um dos cálculos mais importantes que ficam a cargo da contabilidade. Supondo que uma fábrica queira saber o valor mínimo pelo qual se pode vender um produto específico, é necessário calcular o Custo de Produção do Período (CPP).

Para isso, a conta é feita considerando os seguintes fatores:

  • Materiais Diretos, que é o material usado diretamente em toda a fabricação do produto (insumos, matéria-prima etc.);
  • Mão de Obra Direta (MOD), correspondente aos custos com os operários; e
  • Custo Indireto de Fabricação (CIF), os quais influenciam indiretamente no processo de fabricação (fornecimento de energia, manutenção, reposição de materiais e peças etc.).

Devido à importância e complexidade envolvidos no cálculo de Custo das Vendas, foi criada em meados do século XVIII uma nova vertente das Ciências Contábeis: a Contabilidade de Custos.

O profissional que atua na Contabilidade de Custos é responsável pelo levantamento detalhado dos custos para auxiliar o gestor no planejamento da empresa.

Apuração de Lucro antes do Imposto de Renda

Para saber qual é o lucro da empresa antes de declarar o Imposto de Renda, a fórmula utilizada é a seguinte:

Lucro Operacional – Despesas não Operacionais + Receitas Operacionais = LAIR (Lucro Antes do Imposto de Renda)

Mas como identificar as despesas e receitas desvinculadas com as operações de negócio? Segundo Marion (2009), “normalmente, trata-se de ganhos ou perdas, isto é, são aleatórias e imprevisíveis”, tais como lucros e prejuízos decorrentes da venda de:

  • veículos;
  • máquinas;
  • equipamentos; e
  • ações da empresa.

Por outras palavras, as despesas e receitas não operacionais são quase impossíveis de precisar ou até mesmo deduzir, pois costumam acontecer de maneira inesperada, como em oportunidades de negócio.

Apuração de Lucro após o Imposto de Renda

Tendo em mãos o valor de LAIR, podemos utilizá-lo para calcular quanto será o Lucro depois do Imposto de Renda e Contribuição Social. Em seguida, é necessário compreender a fórmula de tributação aplicável ao regime tributário da empresa.

Se o negócio opera no modelo Simples Nacional, por exemplo, o contador deve se basear na legislação específica para aplicar a alíquota corretamente. No Lucro Presumido, por sua vez, são aplicados percentuais de acordo com a legislação e a atividade da empresa.

No primeiro caso (Simples Nacional), à Pessoa Jurídica que fatura acima de R$ 55.976,16 no ano incide alíquota de 27,5%. Portanto, se o LAIR chegou a R$ 200 mil, por exemplo, após a declaração do Imposto de Renda o lucro fecha em R$ 146 mil.

Ao fazer as apurações elencadas neste tópico, você chegará à Demonstração do Resultado do Exercício, documento que será apresentado à diretoria e se mostrará imprescindível na tomada de decisão.

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